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NA DOR DA PALAVRA
05Mar2008 17:45:00

Na palavra,

O signo que me marca,

Pedra angular,

Rocha esculpida

Carpida

Nas minhas lágrimas de fogo.

O mel e o mosto,

A dor consentida,

O meu agosto

Na dança trágica das ventanias

Enlaçando braços,

Tempos, maresias.

Traço de unha

No espelho,

Arranho a vida,

Retinta, de vermelho.

Mordo a palavra

Por afeto e gozo,

Mas antes que morra,

Dispo-me dela,

Cuspo-a,

Num gesto repetitivo

De quem pariu a dor,

Por puro gosto.

Raros os dias

Sem que a palavra

Plante sua lavra no areal.

Erga sua escultura de sal,

Poema,

Na planície do meu ventre.

E que por entre os dentes,

Escorra em pétalas,

Grãos, sementes.

Ferida sem final

Que não se cura,

Aberto o seio na seara das pedras.

Para sempre aberto,

Mistério da palavra,

Semeadura.



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