Na palavra,
O signo que me marca,
Pedra angular,
Rocha esculpida
Carpida
Nas minhas lágrimas de fogo.
O mel e o mosto,
A dor consentida,
O meu agosto
Na dança trágica das ventanias
Enlaçando braços,
Tempos, maresias.
Traço de unha
No espelho,
Arranho a vida,
Retinta, de vermelho.
Mordo a palavra
Por afeto e gozo,
Mas antes que morra,
Dispo-me dela,
Cuspo-a,
Num gesto repetitivo
De quem pariu a dor,
Por puro gosto.
Raros os dias
Sem que a palavra
Plante sua lavra no areal.
Erga sua escultura de sal,
Poema,
Na planície do meu ventre.
E que por entre os dentes,
Escorra em pétalas,
Grãos, sementes.
Ferida sem final
Que não se cura,
Aberto o seio na seara das pedras.
Para sempre aberto,
Mistério da palavra,
Semeadura.
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