Menino Deus
Que nasce vestido apenas
Do ébano e da fome,
Que mendiga no olhar
A esperança
E as sobras do mundo,
De pão e abundância.
De ossos frágeis
E mãos frias
Que espera
E não se cansa de esperar
O calor de um seio flácido,
O abraço que não virá.
Eu te ofereço um poema,
E em cada verso
Eu derrubo a indiferença
E abro a porta
Da alma dos homens
Que ainda são crianças
E que correm com os sonhos
Escondidos sob as angústias.
Eu te ofereço o direito
De carregar os olhos cheios
De estrelas,
E as mãoss de esperança,
Porque nasces universal,
Fruto e milagre
De uma mulher e um homem,
E à semelhança de um Deus.
Eu te ofereço a boca
Imensa de desenhar sorrisos,
E no teu pescoço firme
Sobre os ombros,
Um colar de guisos
Capaz de guardar os sinos todos
Da alegria.
E sobre a tua cabeça,
Gentil coroa de penas
E de flores,
A te lembrar que és
Da liberdade,
O beija-flor,
E as cores do arco-íris
Da esperança.