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COMO SE
09Dez2007 13:54:00

Ando como se

Carregasse flores presas

Nos cabelos,

Como se visse

E de olhos cegos

É que beijasse

Pontas de dedos.

Movo-me como se

Não fossem asas

Que me arrastassem,

Antes braços

Enlaçando sonhos,

Devaneios soltos

Pelo espaço.

Respiro como se

Não fossem as guelras

Cicatrizadas de sereia,

Como se já não ardessem

As minhas narinas marinhas,

De água e sal.

Ando como se

Não fossem uns pés

Movidos a desejo

Que me levassem,

Tão perdida,

De saudades tantas,

Às tontas, me levam e trazem

Num cais

De navios fantasmas.

Vivo como se

Não fosse ainda tarde,

Como se a noite

Nunca chegasse

Com seus cânticos negros

E seu cálido abraço.

Como se algo me esperasse,

De longe me avistasse

E nos meus ouvidos poucos

Abrisse a imensa boca

De um segredo.



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