|
Ouço o estrondo das ondas no rochedo
Tenho por dentro o canto desse mar
Embora os braços sejam de arvoredo
E os pés como raízes a me amarrar.
Em água e sal eu lavo os meus desejos
Do mal das culpas, dispo-me dos medos,
Escondo bem no fundo os meus segredos
Num canto de sereia os meus arquejos.
Vou navegando a branda maresia
Recolho conchas, algas na areia
Enquanto o mar me acalma, anestesia.
O céu se veste no esplendor dos astros,
Fantasma sobre o mar a lua cheia
Meu barco solidão eleva os mastros
|