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BARCO SOLIDÃO
23Out2007 17:21:00

Ouço o estrondo das ondas no rochedo

Tenho por dentro o canto desse mar

Embora os braços sejam de arvoredo

E os pés como raízes a me amarrar.

Em água e sal eu lavo os meus desejos

Do mal das culpas, dispo-me dos medos,

Escondo bem no fundo os meus segredos

Num canto de sereia os meus arquejos.

Vou navegando a branda maresia

Recolho conchas, algas na areia

Enquanto o mar me acalma, anestesia.

O céu se veste no esplendor dos astros,

Fantasma sobre o mar a lua cheia

Meu barco solidão eleva os mastros



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