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A lua
É porto de ancorar
Minh’alma.
Nela eu me deito
Na posição dos fetos,
Refazendo no meu corpo
Uma promessa por nascer.
Eu sorvo da lua
Seu caldo de sonhos,
Viajo sua estrada
Num escaler,
Percorro a pé
Seus montes,
Seus silêncios.
Não me canso
De ler nos seus olhos brancos,
E na boca ausente
Do mundo,
Promessas tantas.
A lua prende-me
Em seu sisal de prata,
Divide-me entre
Terra e céu,
Na ânsia inexplicável de voar.
Transpor o meu limite
Entre ser
Ave e mulher.
No desejo constante
De voar sobre os meus medos,
Lançar imensos braços
Sobre o infinito,
Sobre os segredos.
E no silêncio algoz,
Romper os lastros da garganta,
Elevar a voz,
Lançar meu grito.
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