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O PORTO DA LUA
08Out2007 23:52:00

A lua

É porto de ancorar

Minh’alma.

Nela eu me deito

Na posição dos fetos,

Refazendo no meu corpo

Uma promessa por nascer.

Eu sorvo da lua

Seu caldo de sonhos,

Viajo sua estrada

Num escaler,

Percorro a pé

Seus montes,

Seus silêncios.

Não me canso

De ler nos seus olhos brancos,

E na boca ausente

Do mundo,

Promessas tantas.

A lua prende-me

Em seu sisal de prata,

Divide-me entre

Terra e céu,

Na ânsia inexplicável de voar.

Transpor o meu limite

Entre ser

Ave e mulher.

No desejo constante

De voar sobre os meus medos,

Lançar imensos braços

Sobre o infinito,

Sobre os segredos.

E no silêncio algoz,

Romper os lastros da garganta,

Elevar a voz,

Lançar meu grito.



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Por: Mel de Carvalho 21Nov2007 21:57:09
"Na ânsia inexplicável de voar.
Transpor o meu limite
Entre ser
Ave e mulher."

Tudo dito. O poema está aqui centrado. Voar está-te destinado.

Bjs
Mel



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