Menu

Blog








LUA DE PAPEL MACHÉ
08Out2007 23:44:00

O que mais me dói

É ter ainda que envolver de sudários

Os momentos,

Nossos corpos frágeis

E transitórios,

Devorados pela urgência,

Vencidos pelo real

Na veemência do tempo.

A nossa madrugada se esvaiu

Como areia entre os dedos,

E a lua que eu te dei,

Do tom mais sutil,

A prata em cascatas de luar,

E o pranto da aurora boreal,

Consumiram-se

Na boca canibal do Deus do tempo.

E o vento

Rosna em seu lamento

Maledicências,

Nostálgicas dores,

Se misturam numa sinfonia

De estranhas vozes.

As cores são

De plúmbeos tons,

Cripta e granizo,

E os astros dispersos

Num infindável aviso,

Que dor maior há de vir.

Perscruto o céu,

Decifrando os véus

De bruma,

No breu.

E nem preciso ver

Depois o sol,

Flor de gelo.

E a lua,

Essa estranha criatura,

Nesta noite,

É apenas

Uma escultura

De papel maché.



Partilhar: del.icio.us:lua-de-papel-mach newsvine:lua-de-papel-machblinklist:lua-de-papel-machfurl:http://a-cor-da-poesia.blogtok.com/blog/6222/reddit:lua-de-papel-machY!:lua-de-papel-machsapo:lua-de-papel-machrec6:lua-de-papel-machdomelhor:lua-de-papel-machlinkk:lua-de-papel-machouvidizer:lua-de-papel-mach

Inicie sessão antes de comentar