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LUA DE PAPEL MACHÉ
08Out2007 23:40:00
Publicado por: sandrafonseca7@hotmail.com

O que mais me dói

É ter ainda que envolver de sudários

Os momentos,

Nossos corpos frágeis

E transitórios,

Devorados pela urgência,

Vencidos pelo real

Na veemência do tempo.

 

 

A nossa madrugada se esvaiu

Como areia entre os dedos,

E a  lua que eu te dei,

Do tom mais sutil,

A prata em cascatas de luar,

E o pranto da aurora boreal,

Consumiram-se

Na boca canibal do Deus do tempo.

 

E o vento

Rosna em seu lamento

Maledicências,

Nostálgicas dores,

Se misturam numa sinfonia

De estranhas vozes.

 

As cores são

De plúmbeos tons,

Cripta  e granizo,

E os astros dispersos

Num infindável aviso,

Que dor maior há de vir.

 

Perscruto o céu,

Decifrando os véus

De bruma,

No breu.

E nem preciso ver

Depois o sol,

Flor de gelo.

E a lua,

Essa estranha criatura,

Nesta noite,

É apenas

Uma escultura

De papel maché.

 

 

 

 

 

 

 

 



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