 Os mensageiros
Do inverno,
Olhos de píncaros,
Pura neve,
Fizeram adormecer
A terra.
Plantei a emoção
Na semente
Da palavra,
E te guardei junto
No fundo
Da alma fecundada.
Enquanto há
O encontro
De sol e lua,
Meus sonhos não dormem,
Andam soltos,
Correm loucos
Sobre montanhas
E planuras.
De mãos à espera
Acendi os círios
Nos olhos das manhãs,
E beijei a flor
Na boca aberta da quimera.
E de dedos frágeis,
No desejo,
Eu rasgo o ventre
Da terra.
Amanhã, eu sei,
É primavera.
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